Voltaremos em Breve PMN Mulher

Um Olhar Feminino na Politica

O PMN Mulher é um departamento do PMN – Partido da Mobilização Nacional. Este departamento tinha previsão no estatuto do partido desde a criação do mesmo, mas só recentemente, a cerca de cinco anos, houve um movimento mais consistente no sentido de dar-lhe corpo e voz. O motivo deste surgimento tardio foi a falta de necessidade interna de fortalecimento de classe em prol de colocações a serem alcançadas. No PMN a ala feminina sempre foi forte e atuante, muitas das posições de destaque são ocupadas por mulheres. Temos uma grande quantidade de lideres e presidentes estaduais e municipais. Alguns companheiros brincam dizendo que este é o partido das mulheres necessárias, uma piadinha gerada pelo imenso número de dirigentes do sexo feminino, que acabam dominando as mesas de negociação e reunião. Se a posição feminina dentro do PMN é tão confortável, porque a necessidade de criação e consolidação do PMN Mulher? A resposta a esta questão é assustadoramente simples: porque somos exceção. Infelizmente a realidade feminina no país continua tão tristemente inferiorizada como era há décadas atrás. As mulheres continuam trabalhando muito, ganhando pouco, tendo dificuldades para terem acesso a escolas e creches em períodos compatíveis com os dos próprios empregos, não encontrando a tranqüilidade de saberem que os filhos encontram-se cuidados e protegidos, tranqüilidade esta necessária para o desenvolvimento pleno de suas atividades. Não bastasse isso a mulher contemporânea vive o processo da feminização* do HIV e da AIDS como conseqüência de não conseguir exigir o uso de preservativos em virtude da educação subserviente e submissa em relação ao sexo. Da mesma forma a feminização da pobreza, filha da desigualdade de gênero no mercado de trabalho formal e um problema palpável que deve ser enfrentado. Cresce o número de famílias chefiadas por mulheres, que por não terem suas atividades valorizadas financeiramente de forma adequada encontram dificuldade em manterem seus núcleos familiares acima da faixa da pobreza. Outro fator importante a ser considerado é a da feminização da velhice, pois o envelhecimento também tem se tornado uma questão de gênero. Em conseqüência da sobremortalidade masculina, por causas externas e mortes naturais que levam os homens ao óbito numa proporção 4 vezes maior do que as mulheres, estas predominam entre os idosos. As mulheres, hoje idosas, experimentam maior probabilidade de ficarem viúvas e em situação socioeconômica desvantajosa, uma vez que na sua maioria não tiveram um trabalho remunerado formal durante a sua vida. Isso sem falarmos na violência contra o idoso, processo “invisível” pois camuflado dentro das fronteiras do próprio lar, a exemplo da pedofilia e dos abusos emocionais, físicos e sexuais. Trata-se da vitimização da mulher, que ocorre em todas as faixas etárias e em todas as classes sociais. Aliás, as agressões, muitas vezes são vistas como práticas tradicionais, procedimento que reforçam a vitimização e colocam e evidencia a necessidade de cerrarmos fileiras em prol da defesa dos direitos humanos básicos das crianças e mulheres e de sua verdadeira igualdade de oportunidades em busca da plena cidadania. Passamos também por outros fatores que apesar de extremamente dolorosos, por negativos, não podem ser deixados de lado, como o aumento do índice de mulheres que se envolvem com o crime. Levadas por companheiros, pelo desespero, ou simplesmente pela falta de perspectivas, mulheres começam a lotar os presídios, por aumentarem sua participação em ações contrarias aos ditames da lei e da moral. A busca de soluções para os problemas citados e para os muitos outros que existem e permeiam as vidas femininas é que move o PMN Mulher e justifica sua existência. Lutamos por aquelas que por algum motivo não o fazem por conta própria. Lutamos para melhorar as condições de nosso gênero como um todo. Emprestamos nossas vozes, nossa garra, nossa inteligência. Doamos nossa alma e nossa consciência política. Queremos políticas sérias voltadas para os problemas femininos e sabemos que isso passa por educação, por capacitação, por empregabilidade. O Brasil esta repleto de mulheres. Somos mais do que a metade. No entanto a dificuldade de mobilizarmos a população e criarmos centros de atuação feminina é real. Temos que tentar tirar nossas companheiras desta histórica imobilidade. Só quando nos unirmos teremos forças e condições para mudarmos as condições negativas que cercam nosso gênero e criarmos um mundo melhor para nossas filhas, netas, bisnetas, enfim, criarmos um futuro mais justo para aquelas que vierem depois de nós.

Myrian Massarollo - Presidente Nacional do PMN Mulher

Entre em contato